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Novidades na área de oncologia foram apresentadas em Congresso

Sexta, 09 Junho 2017

Novidades na área de oncologia foram apresentadas em Congresso

Dra LíviaAndrade, do Departamento de Oncologia do Hospital Santa Izabel, aponta os destaques

Dra. Lívia Andrade, do Departamento de Oncologia do Hospital Santa Izabel, aponta as principais atualizações do Congresso anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2017) que foi realizado de 2 a 6 de junho, em Chicago (EUA). Este é um evento com cerca de 40 mil participantes e é considerado a maior reunião de câncer do mundo, e alguns dos resultados clínicos apresentados são imediatamente incorporado à prática médica devido sua relevância.

Ela destacou os resultados do estudo britânico BILCAP, que mostra que a medicação capecitabina adjuvante, usada por seis meses após a cirurgia de câncer do trato biliar, melhora a sobrevida global mediana em 15 meses, se comparado com a observação após a cirurgia (51 meses X 36 meses). Este é um resultado importante, pois trata-se de uma doença onde não havia tratamento efetivo de prevenção pós cirurgia. A capecitabina está disponível e é amplamente utilizada pelos oncologistas em um grande número de tumores, e é provável que esses novos resultados levem a uma mudança imediata na forma de tratamento desta patologia.

O câncer de próstata foi, sem dúvida, o tumor que apresentou maior benefício com os estudos apresentados. De acordo com o estudo LATITUDE apresentado na sessão plenária do Congresso pelo Dr. Karin Fizazi, e o STAMPEDE, a adição da abiraterona com a terapia hormonal (esquema padrão neste cenário) em pacientes com câncer de próstata localmente avançado ou metastáticos, resultou em ganho de cerca de 40% em termos de sobrevida global. Este estudo, bem conduzido e com resultados muito consistentes, define a adição de abiraterona ao bloqueio hormonal como o novo tratamento padrão nesse cenário.

Tecnologia - Um estudo clínico simples, porém com resultados positivamente surpreendentes, apresenta uma ferramenta baseada na web que permite que os pacientes reportem, em tempo real, através de um tablet, seus sintomas relacionados ao tratamento ou à doença. A depender da severidade dos sinais, são gerados alertas para a equipe de cuidados e isto permite a realização de ações para controlar os sintomas, e ajustes necessários no tratamento. Os resultados mostraram grandes benefícios, incluindo melhor qualidade de vida e menos visitas à sala de emergência e hospitalizações, além de uma sobrevida mais longa. Pacientes com câncer metastático que usaram a ferramenta para relatar sintomas regularmente enquanto recebiam quimioterapia viviam uma média de cinco meses a mais do que aqueles que não usavam a ferramenta. A melhoria na sobrevivência pode parecer modesta, mas é maior que o efeito de muitos medicamentos modernos contra o câncer metastático.

Os resultados de um novo estudo mostraram que uma nova tecnologia poderá ser a fórmula para criar um método de análise de sangue que possa encontrar câncer em uma pessoa antes de um tumor ser descoberto ou testado. Um estudo de 124 pacientes com câncer de mama, câncer de pulmão e câncer de próstata avançado usou uma abordagem de sequenciamento genômico para encontrar DNA (material genético) de tumor circulante no sangue. As células cancerígenas ao morrerem liberam pequenos pedaços de material genético na corrente sanguínea. Para testar a eficácia deste novo método, os pesquisadores compararam os resultados do exame de sangue com os resultados da biópsia do tumor. Em 89% dos pacientes, pelo menos uma alteração genética encontrada no tumor também foi encontrada pelo exame de sangue. Apesar dos resultados promissores, esta tecnologia ainda não está disponível para uso fora da pesquisa, mas este estudo é um passo importante no desenvolvimento de testes de sangue para a detecção precoce do câncer.

CA de Mama e Gravidez - Outro grande estudo foi realizado com 1207 mulheres com passado de câncer de mama e descobriu que a gravidez não aumenta o risco de recorrência. Isso inclui mulheres com câncer de mama positivo ao receptor de estrogênio (ER), que é o tipo de câncer de mama mais comum. Sabemos que o câncer de mama é o tipo mais comum em mulheres em idade reprodutiva. Como muitas mulheres escolhem ter filhos em uma idade mais avançada do que no passado, isso significa que muitas mulheres são diagnosticadas antes de realizar o desejo de ter filhos. Após um período de acompanhamento de 10 anos, as mulheres que ficaram ou não grávidas tiveram as mesmas taxas de sobrevivência. Outras análises mostraram que nenhuma das seguintes condições afetou o tempo de vida dessas mulheres: se a gravidez foi completa, quanto tempo passou desde o diagnóstico de câncer e se as mulheres amamentaram seus bebês. Este estudo confirmou a segurança de gravidez pós câncer de mama.